2005 - Junho

O Arauto - publicação da Paróquia Santa Catarina:
Tragédia anunciada: A cada enxurrada barracos desmoronam e moradores
ficam desabrigados, uma situação recorrente há anos.

Uma forte chuva que caiu sobre São Paulo causou mais uma vez enormes danos a nossa comunidade, deixando muitas pessoas desabrigadas. A Favela da Rocinha que já sofreu com incêndios, teve 4 barracos desmoronados e outros prestes a desmoronar. Além disso, o principal acesso aos barracos que ficam à beira do córrego Água Espraiada, conhecido como Minhocão, também teve parte dele desmoronado. Os moradores acionaram a imprensa, que não apareceu por lá.

Na manhã do dia 25 esteve no local representantes da Defesa Civil da Subprefeitura do Jabaquara, o coordenador da Ação Social, Marcelo Ishima e equipe que ficaram bastante sensibilizados com o que presenciaram. O coordenador da Área Social prometeu contatar o Secretário do Desenvolvimento e Ação Social, Floriano Pesaro, para em conjunto pensar em medidas e providências a serem tomadas para minimizar o sofrimento e a revolta dos moradores em relação ao poder público local.

Para se ter uma idéia do tamanho do problema, no censo/2000 do IBGE (Instituto de Geografia e Estatística) consta que na Favela da Rocinha têm 600 barracos e para surpresa geral, no início deste ano, com a ajuda dos coletores de lixo, após levantamento, constatou-se que naquela favela o número de barracos já está ultrapassando a marca dos 3.500.

A Favela Alba também sofreu danos tão graves quanto, onde houve desmoronamento de barracos, inclusive. Os moradores sofreram as mesmas agruras com a inundação de sua moradia com água contaminada e fétida dos esgotos a céu aberto.

Em abril passado, a pedido da comunidade, o subprefeito do Jabaquara, Walter Iihoshi participou da reunião da Resol - Rede Solidária de Representantes de Comunidade, uma iniciativa do CIPS - e comentou que a conclusão do Projeto Av. Água Espraiada, atual Av. Jornalista Roberto Marinho, apesar de ser uma prioridade para região, não será executado nos próximos três anos.

Fica uma dúvida! Se a Av. Água Espraiada não for construída nos próximos anos, por que então não melhorar as condições de vida dos moradores dos barracos que ficam na margem do córrego? Por que não fazer um levantamento minucioso das condições de vida e dar início ao processo de transposição dos moradores daquela comunidade?

Alguma coisa precisa ser feita. E com urgência, antes que uma tragédia de grande proporção venha ocorrer. Os administradores do setor público não precisam ir ao nordeste para ver miséria, pois a situação do Distrito do Jabaquara, com 98 favelas, já é uma calamidade pública. As crianças chegam à creche - aquelas que conseguem vagas para se matricular - mordidas por ratos, que comem pedaços de seus dedos e de seu corpo. É uma condição de vida subumana. Os moradores estão cansados de servir de vitrine e ser usados e procurados na hora do pleito eleitoral. Está na hora de se mudar o cenário e transformar a vida dessas pessoas.

Estamos aceitando doações de caibros, perobas, táboas, madeirites e telhas para a reconstrução dos barracos. Falar no CIPS com Iasmi, fones 5034-6335 ou 5565-1583.

Luiz Otávio Santos/Iasmi Aires Loberto

download: O Arauto junho/05

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