2004 - Março

Jornal da Tarde: Analista cria entidade de ajuda a carentes.

Há 12 anos, Iasmi Aires Loberto ,abandonou o cargo de analista de sistemas de uma multinacional para defender causas sociais . No inicio, a família pensou que a mudança repentina não passava de uma "empolgação". Dez anos mais tarde, seus filhos e até mesmo seu marido a apóiam e são voluntários no Centro Integrado de Promoção Social (CIPS), do qual ela é presidente.

A vontade de mudar a situação de pessoas carentes no Jabaquara começou em um hospital que atendia crianças com câncer, bem distante do bairro. "Eu sempre visitava uma parente minha que estava doente e passei a observar uma ala que tinha crianças abandonadas pelos pais", revela.

Comovida, ela passou a fazer toucas de lã para proteger a carequinha das meninas e meninos doentes, que na fase de tratamento perdem todo o cabelo. Ela disse que descobriu o valor da vida do ser humano e, na época se perguntou: "Como pude trabalhar tanto tempo como analista de sistemas?"

Em busca de recursos, Iasmi, que mora em um prédio de classe média do bairro do Jabaquara, resolveu pedir apoio da vizinhas. Resultado: a maioria ajudou e todas as mulheres passaram a se reunir no salão de festas do condomínio. Lá, eram discutidas estratégias de arrecadação de dinheiro para ajudar as comunidades pobres.

O primeiro passo vou vender artesanato. A iniciativa deu certo. Um ano depois, Iasmi e suas amigas tiveram de deixar o salão de festas e migraram para um asilo também para fazer o trabalho voluntário. Após esse período, o movimento ganhou uma pequena sede na paroquia da região chamada Santa Catarina. Hoje, já consegue alugar um imóvel, parte paga com ajuda do dizimo da igreja.

"Agora com a nossa sede, temos mais espaço, distribuímos leite, remédio - com a ajuda de médicos conhecidos -, temos auxilio de um enfermeiro voluntário e oferecemos empregos, além de alfabetizar os adultos durante a noite". Todo o empreendimento atrai cerca de 600 pessoas por dia.

E o andamento do CIPS ocorre com a ajuda de Terezinha de Almeida, 56, uma das voluntárias mais antigas. Ela contou emocionada que esta satisfeita em colaborar com as pessoas carentes. "Já fui balconista, compradora e hoje ajudo quem posso. Saio por aí e busco recursos."

Lídia Rezende, 49, é uma das vizinhas de Iasmi que se sente feliz em ajudar. "É um trabalho muito bonito". Mesmo com o sucesso do empreendimento, ela diz sentir medo de ter que fechar as portas ."Está cada vez mais difícil nos manter aqui. Precisamos da ajuda de empresários, com qualquer tipo de doação", ressalta.

download: Jornal da Tarde março/04

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