2003 - Janeiro

Jornal O Estado de São Paulo:
ONG leva esperança para a população
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10 de janeiro de 2003: Os moradores da favela Alba, na Vila Santa Catarina, ganharam, no começo do ano passado, uma parceria com a ONG Centro Integrado de Promoções Sociais (CIPS). Depois de vários conflitos entre polícia e a população local, se instalou a calma na favela.. Vivendo de maneira subumana, como acontece em vários outros locais da cidade, os moradores convivem com um córrego que passa entre vários barracos, a falta de saneamento básico e carências em educação , lazer e oportunidades de emprego.

Para a fundadora do CIPS e líder do local, Iasmi Aires Loberto, a aproximação com a população local melhorou alguns aspectos. A ONG abriga cursos de informática, panificação e aulas para o ensino fundamental e alfabetização para adultos. A voluntária Maria Aldamir Forte, de 28 anos, casou-se em Fortaleza e mudou-se para a favela a oito anos.

Como tem ensino médio completo e esta desempregada, resolveu colaborar com os vizinhos. "Depois que a Iasmi começou a nos ajudar, a vida mudou por aqui, pois não havia expectativa de emprego e de melhor moradia. Hoje, tudo é diferente". "Mas ainda falta muito para se fazer", diz Iasmi. "Precisamos ensinar educação ambiental para essas pessoas e melhorar a questão do lixo", afirma.

O córrego que passa entre a favela transborda com qualquer chuvisco, por conta do lixo despejado nas águas. "Não basta dar, temos que ensinar a trabalhar e ganhar seu próprio sustento", ensina. Iasmi diz que a ONG esta se movimentando com o governo para tirá-los de lá. "Nosso trabalho é como um conta-gotas, demora para ter resultado". A primeira providência a ser tomada e a colocação de redes para segurar o lixo. Cada família será responsável por determinado tempo pela limpeza dessas redes. O CIPS ainda procura manter convênios com empresários e entidades das imediações.

Celeste Borges Rodrigues e os nove filhos moram em um dos barracos da favela. Ela explica que é difícil viver em cima de um córrego. "Os ratos andam por dentro de casa, nos pés da crianças, e é duro ver seu filho no meio do esgoto", queixa-se. Ela considera quase impossível não criar crianças revoltadas nesse ambiente. "Além de viver nessas condições, temos de ensinar nossas crianças a não seguir o caminho do mal. Existem mães que conseguem, outras não".(V.S.)

download: Estadão Online janeiro/2003

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